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23.1.07

Vestígios do Carandiru

Exposição de fotos é resultado das visitas de Ricardo Hantzschel à Casa de Detenção de SP


O fotógrafo Ricardo Hantzschel abre dia 15 de janeiro a exposição Vestígios, na Galeria do Conjunto Nacional, em São Paulo. Estarão expostos 25 trabalhos e dois textos realizados em dez visitas à extinta Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru), de setembro de 2001 a janeiro de 2002.

As imagens resultantes foram ampliadas em papel fotográfico à base de fibra e reveladas seletivamente com pincéis, passando a sensação de desintegração pelas bordas. Além disso, como entendeu que a imagem fotográfica não era suficiente para representar o universo prisional como ele o via, Hantzchel incorporou às fotos molduras artesanais de madeira e ferro, cartas, recortes, tecidos, referências religiosas e objetos de uso pessoal, todos coletados nas celas ou escombros da implosão.

Os trabalhos foram realizados em duas etapas: na primeira, foram feitas dez visitas fotográficas ao Carandiru, de setembro de 2001 a janeiro de 2002. Na seqüência, foram construídas e elaboradas as molduras, processo finalizado em setembro de 2004.

“Voltei ao Carandiru mais quatro vezes antes da implosão para registrar os pavilhões nove e cinco, mas não pude mais voltar ao oito que começou a ser demolido primeiro”, relata o fotógrafo no texto de apresentação. A experiência de ter sido “esquecido” numa tarde dentro daquele pavilhão o marcou bastante. Foi no dia 10 de setembro de 2001. “A sensação de estar trancado naquele prédio de cheiro acre, repleto de tragédias humanas e ao cair da noite, me acordou de um transe iniciado quatro horas antes, quando entrei na primeira das 400 celas do pavilhão oito”. Por sorte, Hantzschel não havia entregado seu celular ao carcereiro e pôde ligar para a assessoria de imprensa responsável pelo sistema prisional, que em 40 minutos providenciou sua soltura, “entre risos e piadas”.

Vestígios do Carandiru fica em cartaz até 15 de fevereiro, no térreo da Galeria do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073), com visitação gratuita de segunda a sexta, das 10 às 21 horas e nos domingos das 12 às 21 horas. Informações: (11) 3179-0656.


http://photos.uol.com.br/materia.asp?id_materia=4487

Aos 15 anos, “Vira-Lata” vai para a telona.

O Vira-Lata, o mais brasileiro dos heróis de histórias em quadrinhos, criado há 15 anos por Paulo Garfunkel e Líbero Malavoglia, prepara-se para voltar à ativa. O personagem, que virou cult entre os admiradores de HQ e fez sucesso entre os detentos do extinto Carandiru graças ao trabalho do Dr. Drauzio Varella, vai virar protagonista de filme pelas mãos da Academia de Filmes. Com direção de Alex Miranda e produção executiva de João Pedro de Albuquerque, a produtora vai levar para a telona toda a ginga deste homem do povo, símbolo da miscigenação, criado nas ruas, que traz a sexualidade à flor da pele e é um verdadeiro “cachorro com alma de gato”.
Durante anos, Varella usou as edições da revista para respaldar o trabalho que fazia na penitenciária, já que, apesar de possuir o “superpoder” de conquistar a mulher que quisesse, Vira-Lata sempre teve a camisinha como companhia constante em suas aventuras e incursões pelo submundo. No longa, as cenas de ação serão coreografadas e a trilha sonora terá papel fundamental, recebendo atenção especial da produção, como não poderia deixar de ser em um filme com a participação de Garfunkel, conhecido letrista e músico. O roteiro está já no forno.